terça-feira, 31 de março de 2009

Vestibular em baixa

Levantamento do Correio mostra que maior parte das universidades públicas já adotam forma de seleção diferente da tradicional prova. Proposta de mudanças do MEC será encaminhada hoje aos reitores

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Paloma Oliveto
Da equipe do Correio



Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press - 16/2/09

Estudantes conferem resultado do vestibular da UnB: PAS pode deixar de existir caso proposta do MEC seja aceita pelas universidades


Hiram Vargas/Esp. CB/D.A Press - 28/10/08

No geral, os reitores mostram interesse de analisar essas formas mais consistentes de exames, pois o vestibular tradicional tem limites
José Geraldo de Sousa Jr., reitor da Universidade de Brasília


A preocupação do Ministério da Educação (MEC) em acabar com o modelo do vestibular tradicional não é novidade para as 89 instituições de ensino superior públicas brasileiras, sem contar os centros de ensino tecnológico. Levantamento do Correio mostra que somente 27 ainda utilizam a prova como única forma de seleção. As demais adotam também modelos inspirados no Programa de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade de Brasília e as notas obtidas pelos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Entre as 55 universidades federais, 19 adotam apenas o vestibular, sendo que duas delas estudam a adesão à avaliação seriada.

“No geral, os reitores mostram interesse de analisar essas formas mais consistentes de exames, pois o vestibular tradicional tem limites”, constata o reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Sousa Jr. Mas, para ele, os diferentes tipos de prova se complementam, e uma não precisa eliminar a outra. “São formas complementares. O PAS pressupõe alunos em condição de permanência no ensino médio, e muita gente já tem idades diferentes, precisando, então, fazer o vestibular”, lembra. O modelo de Brasília já foi exportado para todas as regiões do país. A instituição mais recente a aderir ao programa foi a Universidade de São Paulo (USP), que adota também o tradicional vestibular da Fuvest.

O importante, ressalta José Geraldo, é que tanto a prova tradicional quanto as avaliações seriadas levem em conta fatores como competências e habilidades individuais. “Na UnB, a produção dos dois modelos de prova (PAS e vestibular) respondem aos mesmos pressupostos que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pretende. Não nos preocupamos só com o conteúdo, mas com a estrutura.” O reitor espera que, em breve, a universidade possa se pronunciar sobre o projeto do MEC, que deve ser oficializado hoje à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ministro da Educação no primeiro ano de governo Lula, a proposta do MEC vai colocar em risco a pluralidade de opções de ingresso no ensino superior. Ele teme principalmente o fim do PAS. “Uma das grandes vantagens do PAS é que o estudante tem três chances diferentes. Além disso, passa a estudar todo o ensino médio, não fica estudando só para uma prova”, sustenta o senador. O programa consiste na avaliação do aluno ao fim de cada uma das três etapas do ensino médio.

Para Cristovam, caso o projeto do MEC seja aceito, o PAS terá de ser extinto. “É um programa de 12 anos, que já provou que funciona, que provoca efeitos no ensino médio. Simplesmente vão matar uma bela experiência da UnB”, lamenta. Já José Geraldo, reitor da universidade, diz que é preciso conhecer melhor a proposta antes de decretar o fim da avaliação seriada.

O documento do ministério deveria ter sido entregue ontem à Andifes, mas ajustes na redação do texto adiaram o envio para hoje. Nele, será detalhada a conversa que o ministro Fernando Haddad teve, na semana passada, com o presidente da associação, Amaro Lins.

Haddad, que em diversas ocasiões demonstrou discordar do modelo do vestibular, apresentou verbalmente a ideia do exame que, segundo o ministro, pretende combinar os pontos positivos da prova atual e do Enem. De acordo com ele, uma mudança na forma de ingresso às universidades terá reflexos no currículo do ensino médio. “Hoje, é muito traumática a passagem da educação básica para a educação superior. Se não revermos essa transição, não alcançaremos o padrão de qualidade que queremos”, sustenta.

O modelo da prova terá de ser discutido com os reitores — como as universidades são autônomas, o projeto do MEC não pode ser imposto. Mas já se sabe que serão quatro provas, cada qual de uma área do conhecimento, com uma redação. Segundo

Haddad, o conteúdo cobrado pelo vestibular será mantido, acrescido da forma como são feitas as questões do Enem, que privilegiam mais o raciocínio e a aprendizagem, no lugar da memorização. Ainda assim, os testes seriam objetivos. O presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes, afirma que as questões serão tiradas do banco de provas do MEC, mas não descarta a participação das federais na elaboração do teste.

Unificação
Autor de um projeto de lei que acaba com o vestibular e institui a avaliação seriada nas universidades públicas, Cristovam Buarque não vê novidades no modelo proposto pelo ministério. “É basicamente a mesma coisa que o vestibular. Só que com a vantagem de ser unificado. Mas no fundo, continua o mesmo trauma no estudante: ou entra ou não entra. E no PAS não é assim”, defende. Ele afirma que o projeto, que foi aprovado em caráter conclusivo na Comissão de Educação do Senado e está na Câmara, não fere a autonomia universitária. “A autonomia é administrativa. Mas toda universidade precisa seguir a lei.”

Os demais projetos que tramitavam no Congresso prevendo o fim do vestibular, porém, foram arquivados. Um deles, de Alex Canziani (PTB-PR), substituía a prova por um curso de pré-graduação, no qual os estudantes teriam acesso, durante um ano, a disciplinas básicas de várias áreas, para depois optar pelo curso.


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Fonte: Correio Braziliense http://www.correiobraziliense.com.br/impresso/

Quilombo Caçandoquinha Denuncia

Denúncia

A Associação dos Remanescentes da Comunidade Quilombo Caçandoquinha,Raposa,Saco das Bananas e Frade, entidade sem fins lucrativos, certificada pela Fundação Cultural Palmares, com sede na Cidade de Ubatuba, São Paulo,
vem por meio desta denunciar que vem sofrendo várias perseguições de pessoas das quais deveriam garantir nossa integridade fisica e defender nossos direitos.
A algumas semanas sofriamos perseguições de um policial civil, negro da cidade de Caraguatatuba com o apelido de Tininho ,que muitas vezes vinha até a comunidade a pedido do grileiro, para intimidar os quilombolas e até se apresentou uma noite armado aos quilombolas que ele seria o Capitão do Mato, vendo que não baixei a cabeça a suas ameaças, parece que desistiu e não apareceu mais na comunidade.
Hoje enquanto trabalhavamos chegou mais um cidadão cujo apelido é Cabo Davi, policial da Força Tática da Policia Militar, se dizendo responsável pela area, e que os quilombolas não construiriam mais casas e que as que estariam em construção seriam derrubadas por ele.
Agora que paz teremos nós se pessoas que deveriam nos defender se vendem a elite, e sabendo de várias estórias de irmãos que foram presos com fragantes forjados por maus policiais, que segurança teremos nós para fazermos um B.O, ou discar 190, fica a espectativa de quem virá nos atender se será o mocinho ou o bandido.
Hoje nós quilombolas que temos nossos direitos garantidos por lei como:
Artigo 68, do ADCT, da Constituição Federal
- Direito à propriedade das terras às comunidades quilombolas;
Artigo 215 e 216 da Constituição Federal
_ Direito à preservação de sua propria cultura;
Convenção 169 da OIT, Organização Internacional do Trabalho
- Direito a auto definição
Decreto nº 4.887, de 20/11/2003
-Regulamenta o procedimento para identificação,delimitação,demarcação e titulação das comunidades de quilombos;
Instrução normativa do Incra nº 49/2008.
Tendo nossa comunidade cumprido todas as fases acima mencionadas ainda sofremos perseguições, peço a todos que divulgem essa mensagem pois não temos mais a quem recorrer.

Que Deus nos proteja!

Mário Gabriel do Prado
Presidente


Fonte: Jornal Ìrohìn http://www.irohin.org.br/onl/new.php?sec=news&id=4313

quinta-feira, 26 de março de 2009

Carta Aberta ao Senado Federal

São Paulo, 25 de Maio de 2009

Prezadas Senadoras,
Prezados Senadores,

Escrevo-lhes para unir-me ao coro daqueles senadores e senadoras contra o Projeto de Lei da Câmara 180/2008 – que institue reserva de vagas para afrodescendentes e pobres em geral em todas as universidades públicas. Tal projeto nao é apenas um insulto, como tambem é insustentável em uma nação socialmente ética e racialmente justa como a brasileira. Eu pessoalmente, sou fruto dessa nação, terra das oportunidades. Nordestino, negro, estou em São Paulo desde 1994 buscando meu lugar ao sol nesta terra do homem cordial. Meus encontros com a violência policial, as humilhações diárias nos shopping centers, os anos de subemprego, o certificado de incompetência outorgado pelo vestibular da universidade pública e a carga diária de trabalho violenta para pagar a mensalidade na universidade privada não são suficientes para convencer-me de que a cor da pele é instrumento poderoso na definição do acesso aos bens sociais no Brasil.

Seria um absurdo intolerável tentar corrigir as injustiças de mais de 300 anos de escravidão a partir de ações estatais estratégicas de redistribuição da riqueza construída com o sangue das nossas avós e avôs. Vossas Excelências têm razão: o atalho mais cômodo e com menos custos políticos é persistir nos ideais universalistas já inscritos na nossa Constituição e muito bem defendidos por nossos negrólogos. Afinal, quem é negro nesse país? Todo mundo teve uma avó com o pé na ‘cozinha’, ainda que seja difícil explicar porque as mulheres negras continuam lá.

Meu apelo ao Senado, no entanto, é que ao votar contra o projeto das cotas, assuma também o risco social de tamanha bravura. O Brasil negro cresce a cada ano. Não que ele já não exista, mas pela primeira vez em nossa história republicana acontece uma coisa estranha, que está incomodando: mais pé-rapados, desgraçados, humilhados, ‘condenados da terra’ se identificam com a negritude negada.

Levando, pois, em conta tal fenomeno, Vossas Excelências bem que poderiam fazer o cálculo matemático e político de quanto tempo seria necessário investirmos em medidas universalistas de acesso a bens vitais como saúde, educação e acesso `a terra para resolvermos o inconveniente problema que insiste em desafiar o fantasma de Gilberto Freire e seus seguidores. A verdade é que Vossas Excelências precisam colocar um ponto final nos desvarios das radicais loucas e os radicais esquizofrênicos do movimento negro que querem ressucitar um monstro que nosso país enterrou com a assinatura da Lei Áurea.

Meu conselho, como herdeiro destes 500 anos de pau-brasil, é que votando contra o PL das Cotas, V. Excelências elaborem um argumento um pouco mais convincente, que ajude a sustentar a idéia da excepcionalidade brasileira no campo das relações raciais. Embora eu entenda o lugar racial de onde os senhores e senhoras senadoras falam, tenho falhado miseravelmente em convencer a minha mãe de que banir ‘raça’ do vocabulário político é a solução mais justa e mais ética para que meus irmãos tenham acesso `a universidade pública. No mesmo sentido, confesso que ainda não tive coragem de explicar ao meu sobrinho de 13 anos que seus encontros diários com a violência na periferia de Brasília não têm nada a ver com a cor da sua pele. É ilusão de ótica.

Na verdade, estou quebrando a cabeça com as contas mórbidas da violência contra os homens jovens negros na periferia das capitais brasileiras. Embora nao tirem um minuto do meu sono, os numeros desafiam minha cegueira racial. No entanto, sendo mais sensiveis que eu, e sendo os seus currais eleitorais, Vossas Senhorias sabem o que significa morar na periferia de Maceió, de Recife, ou de Brasília onde a taxa de homicidios entre os homens negros é 300% maior do que a de homens brancos na mesma faixa etária.

Caso julguem pertinente, e ja desculpando minha ousadia, eu poderia ajudar a sua assessoria parlamentar com um argumento - um pouco fora de moda mas ainda com poder de persuasão. Seria um argumento baseado na luta de classes e no esvaziamento do sentido político da categoria ‘raça’ empregado pelo movimento negro. Estratégicamente, poderíamos começar com um jogo de retórica debitando na conta dos militantes negros o dever de negar o que talvez nem Nina Rodrigues, se vivo fosse, teria coragem de sustentar: a base científica/biologica de raça.

Estabelecida a confusão, poderíamos argumentar que o problema do Brasil não é de raça, mas de classe, que lutando por uma bandeira universal de acesso dos pobres aos bens públicos poderíamos atender `a clientela negra. Poderíamos também usar os argumentos das ‘divisões perigosas’ daqueles intelectuais progressistas, os editoriais impaciais dos grandes jornais do país e a TV do Jardim Botânico que dispensa adjetivos. Atenção: ter a mídia e um bom pedaço da inteligentsia brasileira ao seu lado é o grande trunfo para manter a hegemonia do Brasil racialmente cego, ainda que tal hegemonia se traduza na prática na dominação racial dos azarados por nascer pretos e pardos.

Para finalizar, desconfio que Vossas Excelências precisam ter um plano emergencial para o Brasil nos próximos 100 anos, uma vez que os ideais republicanos da igualdade de fato ainda não se concretizaram e não parecem concretizáveis nesse século. Vossas Exclências poderíam estabelecer um Estatuto da Cordialidade com as seguintes medidas: privatizar as universidades públicas para que o mercado corrija as desigualdades que por ventura ai se encontrem; investir pesadamente no aparelho policial para impedir que jovens rebeldes desçam os morros e exijam pela força o acesso aos bens que acham que lhes são negados; murar as favelas ao redor das nossas capitais para que as insurreições que se desenham no horizonte não pertubem a ordem pública.

E por fim, uma medida ainda mais importante é estabelecer a pena de morte como solução para dois problemas que insistem em perseguir a nossa nação cordial: tirar das mãos da polícia o monopolio de limpar a sociedade, dar fôlego `as cadeias brasileiras já superlotadas. Ademais, estamos de saco cheio de sustentar essa gente que não quer trabalhar nem estudar.

Viva a República! Viva a democracia racial brasileira!

Jaime Amparo Alves
amparoalves@gmail.com


Fonte: http://www.comraivaepaciencia.blogspot.com/

segunda-feira, 16 de março de 2009

14/03/2009 - 16:48:48
Conferência Estadual de Promoção da Igualdade Racial - RJ


O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por intermédio da Secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, convida para a reunião inaugural, no próximo dia 19, às 10.00 horas, no Cedim-Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, Rua Camerino, 51 - com a sociedade civil, oportunidade em que serão fornecidas informações necessárias para a realização das "Conferências Municipais ou Regionais".

Paulo Roberto dos Santos
Supir-Superintendência de Igualdade Racial


Fonte: Jornal Irohìn http://www.irohin.org.br/onl/new.php?sec=news&id=4267
14/03/2009 - Fonte: Agência Senado
CCJ realiza segunda audiência pública sobre cotas nas universidades


A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) realiza na próxima quarta-feira (18) a segunda audiência pública para debater o Projeto de Lei da Câmara (PLC 180/08) que estabelece sistema de cotas para ingresso nas universidades públicas e escolas técnicas. O tema, bastante polêmico, foi debatido na CCJ no último dia 18 de dezembro. Se aprovada na CCJ, a proposta ainda será votada pelas Comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Educação, Cultura e Esporte (CE), antes de ser encaminhada ao Plenário.

Na primeira audiência pública, o projeto foi muito criticado pelos debatedores, principalmente em relação ao estabelecimento de cotas raciais. Os participantes da primeira audiência pública defenderam a reserva de vagas nas universidades para egressos da escola pública, mas questionaram a distribuição por raças.

Para Yvone Maggie, professora do Departamento de Antropologia Cultural do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), não faz sentido o preenchimento das vagas das universidades públicas previstas no sistema de cotas por estudantes negros, pardos e indígenas na proporção de cada segmento na população do estado onde está localizada a instituição de ensino. Ela apoiou, no entanto, a parte do projeto que direciona 50% das vagas das universidades federais e escolas técnicas a estudantes que cursam integralmente o ensino médio em escolas públicas. Também considerou válida a reserva de metade dessa cota para alunos oriundos de famílias com renda de até um salário mínimo e meio per capita.

O advogado José Roberto Ferreira Militão afirmou que, ao tentar promover uma política de inclusão por meio de cotas raciais, o governo acaba criando também uma política de exclusão por meio desse mesmo aspecto racial. Ele também apoiou a política de cotas por questões econômicas. Já José Carlos Miranda, coordenador do Movimento Negro Socialista, afirmou que o problema não deve ser resolvido com uma política de cotas, mas, sim, com uma educação pública de qualidade desde o ensino básico. Essa solução também foi apontada por Jerson César Leão Alves, coordenador do Movimento Nação Mestiça.

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) defendeu proposta de sua autoria (PLS 546/07) - já aprovada na CDH e na CE, em decisão terminativa, e encaminhada para a Câmara dos Deputados - que reservava metade das vagas em instituições federais de educação profissional e tecnológica para estudantes oriundos de escolas públicas. Dentro dessa reserva, o projeto também estabelece que o percentual de indígenas e afrodescendentes verificado em cada estado da federação seria observado. Para Ideli, por já ter sido aprovada no Senado, sua proposta é que deveria encabeçar a tramitação do projeto de lei da Câmara, apresentado em 1999 pela deputada Nice Lobão.

Para a audiência de quarta-feira foram convidados Bolívar Lamounier, cientista político; Demétrio Magnoli, doutor em Geografia Humana; Helderli Castro de Sá Alves, presidente da organização não governamental (ONG) Nação Mestiça; Francisco Jhony Rodrigues Silva, presidente do Fórum Afro da Amazônia; Vera Fávero, coordenadora do Movimento Negro Socialista de Santa Catarina; William Douglas, da coordenação da Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro); Augusto Werneck, do Movimento dos Promotores de Justiça do Brasil; Daniel Cara, da Campanha Mundial pelo Direito à Educação; Wellington do Carmo Faria, da Coordenação do Movimento dos Sem Universidade; e Rosani Fernandes Kaingang, do Fórum da Educação Indígena.

José Paulo Tupynambá / Agência Senado


http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=88827&codAplicativo=2

terça-feira, 10 de março de 2009

Pra bom entendedor pingo é letra

Obama critica declarações de procurador-geral sobre questão racial

Da EFE




Washington, 7 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, repreendeu hoje levemente o procurador-geral Eric Holder por descrever o país como uma "nação de covardes" quando se trata de falar sobre o tema racial.



"Acho que seria apropriado dizer que, se tivesse assessorado meu procurador-geral, teríamos usado uma linguagem diferente", afirmou Obama em entrevista ao "The New York Times" publicada na edição digital do jornal.



Holder é o primeiro procurador-geral negro dos Estados Unidos.



"Frequentemente, nos sentimos incomodados falando sobre raça até que há algum tipo de explosão ou conflito racial", afirmou Obama, que destacou que, provavelmente, os americanos poderiam ser mais construtivos na hora de abordar o legado da escravidão ou a discriminação.



Holder fez a declaração em fevereiro em discurso aos empregados do Departamento de Justiça, ao mencionar que, apesar de os Estados Unidos serem terem se visto como um exemplo em temas raciais, sempre foi e "continua sendo, de muitas formas, essencialmente uma nação de covardes".



As críticas geraram protestos, sobretudo de grupos conservadores, que mencionaram que um país liderado por um presidente negro, com um procurador-geral negro e pessoas negras nos dois partidos não é uma nação de covardes.



O "New York Times" destacou que Obama hesitou durante cinco segundos quando perguntado sobre se concordava com os comentários de Holder.



"Não creio que falar constantemente sobre a raça resolva as tensões raciais", afirmou.



"Acho que o que resolve as tensões raciais é regular a economia, colocar as pessoas para trabalhar, nos assegurar de que temos cobertura médica e de que todas as crianças estão aprendendo", acrescentou.



"Acho que se fizermos isso, provavelmente teremos conversas mais frutíferas", concluiu. EFE


Fonte: Portal G1 http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1033460-5602,00-OBAMA+CRITICA+DECLARACOES+DE+PROCURADORGERAL+SOBRE+QUESTAO+RACIAL.html



O cargo fala, mas até quando ?

Mulher tira a blusa para entrar em agência bancária em Jundiaí

Mulher tira a blusa para entrar em agência bancária em Jundiaí





A empregada doméstica Doralice Muniz Barreto, de 44 anos, que teve de tirar a blusa para entrar em banco (Foto: Dago Nogueira/ Agência Bom Dia)





Empregada doméstica de 44 anos considera que foi barrada por ser negra.
Ela só entrou na sexta tentativa, depois de tirar a roupa.

Do G1, em São Paulo

A empregada doméstica Doralice Muniz Barreto, de 44 anos, conta que teve de tirar a blusa

para passar pela porta giratória da agência do Banco do Brasil no Centro de Jundiaí, cidade localizada a 58 km de São Paulo. "Me senti humilhada, arrasada, acabada, uma ninguém", afirmou.

Ela contou ao G1 na tarde desta sexta-feira (6) que vai procurar um advogado na próxima semana para processar o banco e pedir uma indenização por danos morais. Toda a cena foi gravada pelo celular de outra cliente, Cleide Aparecida dos Santos Silva. Em nota, o Banco do Brasil informou que segue as normas institucionais

A empregada doméstica considera que foi discriminada por ser negra, uma vez que outros clientes brancos passaram tranquilamente pela porta. A Polícia Militar foi chamada por um advogado, cliente do banco, e lavrou um termo circunstanciado.

Mãe de cinco filhos e avó de quatro netos, Doralice chegou à agência por volta das 15h10 de quarta-feira (6) para descontar seu cheque-salário de aproximadamente R$ 700. Quando tentou entrar pela primeira vez, a porta travou.

Doralice tirou o relógio e duas chaves do bolso e depositou no porta-objetos, mas nada adiantou. Ela também esvaziou a bolsa que carregadva a tiracolo, colocando todos os objetos à vista, sem sucesso. De acordo com ela, o segurança permaneceu dizendo que havia objetos de metal com ela. Ela ainda tentou entrar na agência outras quatro vezes.

Desesperada, Doralice pediu ao segurança que chamasse o gerente, mas o vigia avisou que o gerente estava ocupado. "Disse para ele: 'eu não tenho mais nada. A única coisa que eu posso fazer agora é tirar a roupa'. E ele me disse: 'problema seu'", conta Doralice.

Diante da resposta do vigilante, a empregada tirou a blusa e a porta imediatamente destravou. "Eu fiquei tão nervosa que ia tirar a roupa toda, mas não deu tempo", disse ela.

A mulher conta que cerca de 50 clientes estavam dentro do banco no momento em que a cena aconteceu. "Depois da raiva, me senti humilhada e com vergonha. Chorei muito e estou chorando até agora", disse ela.

A costureira Cleide Aparecida conta que estava no banco com a filha, a dona de casa Érica Cristina dos Santos, que filmou toda a cena com seu celular. "Se ela me chamar eu vou ser testemunha a favor dela. Tinha um advogado lá no banco que também aceitou defendê-la. Eu fiquei indignada. Como pode uma pessoa ser impedida de entrar no banco com todo mundo olhando. Foi só ela tirar a blusa que deixaram entrar", afirmou.

Cleide afirma que filmou para não depender apenas da palavra. "Filmei porque se a pessoa vai na delegacia e conta o que aconteceu, ainda são capazes de dizer que é mentira", afirmou.

Doralice contou que, assim como Cleide, todos os clientes se mostraram solidários. Na intenção de ajudar, um advogado que passava pelo estabelecimento chegou a propor ao segurança que levasse a empregada para algum lugar seguro por onde ela pudesse entrar sem oferecer risco. "Ele disse que se eu tivesse alguma coisa perigosa os guardas poderiam chamar a polícia", conta ela. Outros clientes aconselharam Doralice a quebrar a porta.

Funcionários parados

Ela afirma ainda que nenhum dos funcionários se mostrou solidário a ela. "Todo mundo que estava sentado naquelas mesas fingiu que não estava acontecendo nada."

Questionado sobre o caso, o Banco do Brasil divulgou a seguinte nota: "O Banco do Brasil segue as normas institucionais, entre elas, a portaria 387 da Polícia Federal que em seu artigo 62 diz que o banco é obrigatório ter vigilante, alarme e um item de segurança, que pode ser portal com detector de metais ou outro item que retarde a ação dos criminosos. O objetivo é garantir a segurança dos clientes."

Marido de Doralice, o aposentado e vendedor Augusto Zara ficou preplexo. "Eu vou falar o que? Além de revoltante, isso mostra que essas pessoas são muito mal preparadas. Isso deveria servir para mostrar que o banco é nosso", afirmou.

No ano passado, a atriz Solange Couto também acusou um banco de constrangimento. Ela disse que teve de ficar de calcinha na porta de uma agência no Rio depois de ser barrada quatro vezes na porta giratória.




Fonte: Portal G1 http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1032457-5605,00-MULHER+TIRA+A+BLUSA+PARA+ENTRAR+EM+AGENCIA+BANCARIA+EM+JUNDIAI.html

domingo, 8 de março de 2009

Ao Negro Blul por Wamilton Borges Walê

Ao Negro Blul*

Salve Negro Blul, meu parceiro. Passei este domingo, 1º de março pensando em você, pensando em suas rimas, repassando seu martírio e tentando entender essa cidade.

Escrevo essa carta como forma de tributo para te manter vivo. Assim, lembrado como um marco político de enfrentamento ao ódio racial instalado em Salvador.

Somos poucos, parceiro. Quando vejo mesmo, estamos sós no combate, enfrentando os inimigos. Os inimigos são poderosos e sanguinários. Portam documentos oficias e séculos de saques a nossas riquezas ancestrais.

Por aqui a cultura que era a matéria-prima de sua atuação continua na mesma. Nenhuma política pública de cultura alcançou os bairros em que você circulava com suas roupas folgadas e rimas precisas. Nada! Nenhum centro cultural foi construído nesses dois anos, nenhuma ação permitiu a fruição cultural nas comunidades pobres em que mora gente com o nosso jeito; nada de intercâmbio cultural ou formação. O que tem além do carnaval do Apartheid e da polícia superpreparada com armas que eu não sei nem pronunciar o nome? Só tem fabricação cultural, só lixo de mercado, mas eles celebram todo ano bons índices de cultura. Mentira.

O povo vai fazendo, do seu jeito, ação cultural de fato. E, entre balas e fome e a dengue, se prolifera, ante os territórios sem saneamento, uma cultura saudável que nos faz sobreviver.

Bronca tá bem, foi conosco pra São Paulo. Falamos de você por lá , cantamos Rap, trocamos experiências dolorosas com famílias que tiveram seus filhos e filhas e maridos e esposas tombados, vítimas da violência estatal. Fizemos um Tribunal, Blul, pra julgarmos o Estado que te levou à cova. E nos ligamos nacionalmente à gente boa de luta que não se vende e que não quer fazer pesquisa com nossa desgraça. Eu queria que você conhecesse os Guerreiros e Guerreiras de Acari. Muita responsabilidade.

Afro Jhow vai cantando e rompendo o silêncio da cidade e formando um clã de pretos orgulhosos. Seqüela agora se chama Lucas Kintê e rima como se fosse uma máquina de deletar traidores e bandidos. É um fenômeno na arte o velho Kintê.Salvador fica mais digna quando essa gente se junta. Do Outro lado? Muita gente se afogando no próprio sangue, nos campos de desova, nos corredores da morte instalados extra-institucionalmente, na tristeza de uma cidade que exclui com tons carnavalescos e alegorias bélicas a maioria.

A maioria somos nós Blul. Temos a mesma negrura na pele, mesmo que nos diversos tons a humilhação venha do mesmo jeito para quem recusa as graças do embranquecimento. Embranquecer aqui Blul parece que tem um significado mais tétrico, mais cabuloso, uma humilhação a mais para quem se arrisca.

É tão pesado o racismo que nos envolve em Salvador que as almas mais generosas, mais guerreiras parecem que se rendem esperando algum prazer entre tanta violência que se espalha.

As balas crivaram seu corpo, mas abriram feridas profundas na cidade. Ela jamais foi a mesma. A cidade viu nascer outra lógica, outra força, outra, construída não como novidade mas herança africana de nos mantermos humanos, nós que continuamos aqui na boa luta. Atentos na trincheira, te mandamos um salve, os parceiros de Pau da Lima, de Sussuarana, da Liberdade, da Cidade Baixa, todos te têm como um símbolo e é isso que te deixa perto de nós.

Sabe Blul, eu nunca perguntei qual era sua religião ou se você não tinha nenhuma....mas todas elas acreditam numa vida depois deste inferno. Se elas estiverem erradas, a atualização de sua memória toda vez que a gente luta vai te fazer eterno meu parceiro.

Ah! Lio tem escrito textos sobre a guerra que soam como orações para que sua alma nos mande sempre luz. Eu acendo velas vez em quando e escrevo sempre para que não se esqueçam


Hamilton Borges Walê
hamilton_africano@yahoo.com.br

*Negro Blul é o nome artístico de Clodoaldo Souza morto por grupos paramilitares de extermínio em 1º de Março de 2007 no Bairro de Nova Brasília no caso conhecido como matança de Nova Brasília.até agora nenhuma autoridade fala dos rumos da investigação. Se é que houve investigação.


Fonte: Jornal Irohìn http://www.irohin.org.br/onl/new.php?sec=news&id=4213

Somos um só

Esta é uma tentativa individual de difusão de notícias de interesse da população negra. Espero que possa ajudar do meu jeito na luta contra o racismo no Brasil. O motivo para isso está nas palavras de Bantu Steve Biko: "Estamos por nossa própria conta".